SEGURANÇA no BDSM

Maio de 2009

Uma compilação de artigos sobre segurança.

Considerando a grande quantidade de novatos na área BDSM, muitos dos quais sem ter noção exata a que se refere o assunto, e alguns nitidamente mal-intencionados, achei conveniente criar essa compiliação consolidando algumas artigos e idéias esparsas.

Além de servir de introdução básica, serve de alerta, pois há quantidade de pessoas sendo enganadas, roubadas e até mesmo prostituidas por pessoas sem ética que jogam o manto BDSM sobre seu comportamento pouco ético, podendo trazer danos irreparáveis às menos avisadas.

Carcereiro


  1. Seu Primeiro Encontro

    Tópico sumarizando considerações obtidas no orkut
    Comunidade: Universidade BDSM
    Tópico: Segurança no Primeiro Encontro

    Contribuiram:
    ? tavi{CS}
    .deli_W
    Rainha Frágil
    ??? rose ???
    Rosa Vermelha

    Lembre-se que para entrar no orkut você deverá fazer login.

    Adaptação, condensação e alguns comentários pessoais feitos pelo Carcereiro

    QUESTÃO PROPOSTA:

    Já que hoje em dia a maioria dos relacionamentos no BDSM começam pela internet, quais os cuidados necessarios quando uma submissa vai ao encontro do possivel futuro Dono pela primeira vez?

    A dúvida vem surgir baseada em algumas histórias trágicas que infelizmente se ouve com freqüência nas nossas conversas. Eu penso que valem as mesmas regras de cautela para um primeiro encontro baunilha. Não que nenhuma delas garanta a segurança, pois até pessoas conhecidas podem um dia se mostrar perigosas, mas quanto a isso não temos controle. Mesmo assim vale a pena minimizar os riscos.

    É claro que todos nos conhecemos casos de mulheres que correram riscos maiores, e mesmo assim encontraram um Dominador maravilhoso. Mas se vocês fossem dar conselhos a quem chega, que conselhos dariam? O que você costuma fazer quanto à segurança em um primeiro encontro?


    SUMÁRIO ADAPTADO DAS RESPOSTAS:

    São "quase" os mesmos cuidados que se tem para um primeiro encontro baunilha, porque além da confiança normal que você tem que ter pra encontrar um homem de um modo geral, um Dominador é um cara que vai te ter amarrada, imobilizada, e é necessário muito mais confiança pra isso.

    Para um primeiro encontro (apenas para conhecer - não para uma sessão) eu diria a uma amiga que (não estão listadas em ordem de importância):

    1. Encontre em local público e intensamente freqüentado e observe MUITO o comportamento dele.

    2. Ouça seu sexto-sentido; sério, as vezes funciona.

    3. Se ele não conseguir te olhar nos olhos, desconfie.

    4. Deixe combinado com uma amiga um certo horário para você ligar pra ela, após o encontro, com alguma folga.

    5. Sempre telefone para ele antes de encontrar pessoalmente, se você ligar vai ter o número; se ele ligar pode ser um número não identificado. Ligue mais de uma vez (o telefone pode nem ser dele) em horários diferentes e observe a reação dele.

    6. Converse bastante no MSN antes, pra saber como a pessoa pensa; sobre outros assuntos também, assim pode ter uma idéia do caráter dele.

    7. Pergunte muito sobre BDSM, pra ter certeza que os gostos são compatíveis e testar se ele realmente conhece do assunto (pois pode ser uma pessoa bem intencionada, mas por inabilidade ou desconhecimento acertar locais impróprios para spanking, por exemplo).

    8. Mais ainda, troque idéias sobre a necessidade de uma safeword, estabelecimento de limites, (como ele vê esses aspectos) e da aceitação dele sobre o uso da safeword como rota de escape.

      • Ele acha que safeword é uma coisa para mulheres fracas ?
      • As mulheres que não são realmente submissas são as que precisam de safeword ?
      • Qualquer tipo de limite é sempre para serem testado ?
      • Toda submissa gosta de estabelecer limites para ser forçada e humilhada ?

    9. Observe as pessoas nos grupos. Aliás, lembro que este é um dos objetivos das comunidades do Orkut, das listas do Yahoo. É a gente observar os outros. Pelo que a pessoa escreve é possivel ler seu carater. A forma como ele lida em uma discussão pode lhe dar uma pista sobre como ele vai lidar com seus limites e suas opiniões.

    10. Escute sua intuição: se por algum motivo, por um só segundo, você pensar que não deve ir, não vá. Adie ou recuse definitivamente. Procure entender porque esta sentindo isso. Não passe batido! As vezes a intuição nos mostra o que está por trás das palavras, dos gestos, dos olhares, enfim: Respeite a sua intuição!

    11. Pergunte ao Dom quem são seus amigos mais chegados no meio e converse com essa(s) pessoa(s), para saber se realmente ele tem o relacionamento alegado.

    12. Deixe-o falar das relações anteriores, em termos gerais e o tente saber porque do final da relação. Verifique se ele é discreto e protege a intimidade das ex-submissas ou ex-escravas ou se as expõe para contar vantagem. Lembre-se que você poderá ser a próxima.

    13. Use o seu feeling e intuição.

    14. Caso você tenha um amigo que atue como Mentor, discuta com ele o assunto, tentando obter uma opinião isenta sobre a pessoa.

    15. Defina bem o que você quer:
      • Apenas um primeiro encontro, para matar a curiosidade ?
      • Um Dono por um tempo mais longo ?
      • Está disposta a ter irmãs de coleira ?
      • Precisa da exclusividade ?

    16. Saiba como ele conduz a vida: se já tem escravas, se é casado, se vive com filhos e avalie como essas informações entram ou não em conflito com as suas idéias de relacionamento.

    17. Avalie a distância entre seus locais de residência. Embora existam relacionamentos persistentes apesar de geografia adversa, certamente os encontros não terão grande freqüência.


    Adicionalmente:

    • Exame de sangue: Jamais se furte a pedir (e a apresentar) um exame de sangue do seu futuro parceiro(a). Peça especificamente, teste de AIDS e hepatite. Converse com seu médico sobre doenças sexualmente transmissíveis. Exames de sangue podem ser feitos praticamente em qualquer laboratório a um custo baixo. Anonimidade é garantida na rede pública.

    • Preservativos: Lembre-se que não basta o uso de camisinha numa relação. A menos que você se disponha a fazer sexo oral sobre plástico, o que não é exatamente uma prática comum ou agradável.

    • Promiscuidade: Entenda em que tipo de relacionamento você estará entrando. Se você estiver engajando numa relação promíscua - com mais de um parceiro num intervalo de tempo - você estará participando de um grupo de risco maior de contrair alguma doença sexualmente transmissível. Nem todo mundo que tem aspecto saudável realmente o é.

      Tome cuidados especiais para evitar contaminação. Fale sempre com um médico de confiança para saber quais os melhores procedimentos a adotar para uma vida longa e feliz.

    • Avaliação Global: Faça uma avaliação da sua vida privada em conjunto com essa nova proposta.

      • Se for casada, avalie como uma simples gonorréia poderá infectar ou atrapalhar a sua vida conjugal ou seus filhos.
      • Se for solteira sem compromissos e seu futuro Dono for casado, como você irá encarar essa divisão ?
      • Se for solteira, mas com um compromisso (um namorado ou noivo) e seu futuro Dono for casado, como você irá encarar essa dualidade ?
      • Se o futuro Dono sugerir uma irmã de coleira, como essa possível promiscuidade poderá te afetar futuramente ?

    Better safe than sorry !


  2. De como reconhecer um verdadeiro Mestre SM

    De como reconhecer um verdadeiro Mestre SM

    Nos dias atuais com o advento da net, e com a facilidade de se comunicar de forma incógnita, é cada vez mais comum que homens e mulheres que sentem dificuldades em relacionar-se fora da rede, façam-se passar por Dominadores e Dominadoras com o claro objetivo de conseguirem apenas sexo fácil, e não exercitar esta forma tão bela e nobre de erotismo. Acreditam estes pseudo-dominadores que um submisso não os poderá rejeitar, e desta forma, sem nenhum preparo nem ética, se lançam às práticas sadomasoquistas desconhecendo os sérios riscos físicos, emocionais e psicológicos a que expõem a si, e a seus parceiros.

    Este artigo, escrito com anuência de meu Mestre, e baseado em minhas próprias experiências, visa auxiliar submissos e submissas iniciantes que desejem buscar verdadeiros Dominadores na net ou fora dela.

    Do perfil do praticante SM
    Como primeiro ponto, é imprescindível observar que os praticantes de SM (os verdadeiros, praticantes na vida real pelo menos) são, geralmente, pessoas intelectualmente sofisticadas, e ao contrário do que se possa imaginar, haja visto que o SM é considerado uma perversão sexual pela OMS, são também pessoas moralmente requintadas. Logo, desconfie sempre da vulgaridade (quando gratuita e desproporcional durante uma abordagem inicial por exemplo) e da avareza de conteúdo cultural durante as primeiras conversações – teste seu Mestre – isto não o diminuirá, nem o tornará menos Dominador (se ele realmente o for), ao contrário, o tornará orgulhoso de poder se mostrar.

    Do referencial SM
    Desconfie de Mestres que desejem se tornar sua única fonte de informações e conhecimentos SM. Um verdadeiro Mestre estimula seus servos a buscar, se inteirar e aprender cada vez mais. Um Mestre sabe aprender com seu escravo, e como submisso é seu dever ser uma fonte de informações novas e relevantes para seu Senhor. Quando um Dominador tenta se tornar o único referencial SM do escravo denota insegurança e não raro, uma certa dose de ignorância.

    Dos direitos de um submisso
    O que é seu direito você deve exigir, não mendigar. Tenha uma atitude respeitosa sempre, mas mantenha-se informado sobre seus direitos tanto quanto sobre seus deveres. Sim, você tem direitos. Exija-os. Estabeleça-os desde o princípio. Argumente com seu candidato a Dominador sobre seus traumas e frustrações, e não permita que territórios sagrados para você sejam invadidos. Isto inclui seu próprio corpo. Exija o uso de preservativos, lubrificantes, assepsia dos brinquedos sexuais, higiene e tudo o que julgar necessário para que sua saúde física e emocional sejam preservados. É um dever de seu Dominador respeitá-lo tanto quanto você o respeita. Se o Mestre se negar a respeitá-lo, repense a relação.

    De limites
    Exponha desde o princípio com clareza e objetividade todos os seus limites, ainda que pressinta internamente que em algum tempo vá mudar de idéia quanto à eles. “Naquele” momento você sabe que eles existem, e rompê-los deve ser um processo gradativo dentro do “seu” tempo, não no do Mestre.

    Do prazer
    Um Mestre recebe e dá prazer. SM é um exercício de prazer, e você o merece. Questione consigo mesmo se está tendo o prazer que buscava ao se lançar neste jogo, e exponha sempre seus sentimentos a quem te domina. Um Mestre que se recusa, ou não sabe gerar prazer não é um Mestre.

    Da confiança
    Um Mestre deve confiar em você tanto quanto você nele. Confiança é um ingrediente fundamental na prática SM, e esta é irmã da sinceridade. Jamais minta para seu Dominador. Seja sempre verdadeiro quando falar, agir ou sentir. Estas serão armas poderosas que seu Mestre terá para lhe dar prazer, e ao que tudo indica, telepatia ainda não é a forma mais eficiente de comunicação da atualidade. Seja sempre objetivo, e não tema em colocar os pontos mais delicados que possam surgir. Se ele for um verdadeiro Mestre saberá separar as críticas das atitudes desrespeitosas de sua parte, e ambos ganharão. Um verdadeiro Senhor não sente necessidade de ser temido. Seu Senhor tem todo o direito de lhe omitir informações que julgue desnecessárias, mas não aceite que minta. Converse a respeito se estiver em dúvida.

    Da segurança
    Se para se sentir seguro precisar de dados pessoais a respeito de seu Dominador, peça-os. Nomes reais, números de carteiras de identidade e telefones não são garantias de coisa alguma, mas se ele não se importa de os dar já é uma grande prova de que é alguém com objetivos éticos, embora isto não seja um ponto fundamental aqui, porque muitas vezes ele pode omitir tais informações por outros motivos. Antes de um contato real procure conversar muito com seu Dominador. SM é comunicação, e se o Mestre exige um encontro muito rápido, antes que se conheçam suficientemente bem, pode se tratar de um dos casos citados na introdução deste texto. Seja criterioso quanto à escolha do local, e mantenha dados de onde estará com uma terceira pessoa. Não é necessário dar detalhes do conteúdo de seu encontro, mas é importante que pelo menos mais alguém saiba onde você se encontra caso algo não saia exatamente como previu.

    Da compatibilidade
    Existem tantas formas de se praticar SM quantos são as pessoas que o fazem, logo, pergunte, observe, questione. Veja se o método de dominação do Mestre se encaixa em suas expectativas. Não se entregue a uma modalidade SM que não lhe dê prazer apenas porque o Mestre assim o deseja. Lembre-se sempre que um verdadeiro Mestre adapta-se ao seu escravo, não o contrário.

    Do comércio
    SM é um exercício de sexualidade, de amor e de prazer. Não acredite em contratos de servidão que visem lucro ou comércio entre você e seu Dominador. Você pagará o prazer que receber com o prazer que proporcionará. Não admita ter que pagar ou receber por qualquer prática SM, salvo se for um profissional, é claro.

    Das punições
    Punições fazem parte do jogo SM, mas quando o Mestre é inexperiente ou despreparado, pode provocar danos psicológicos ao escravo, mesclando os castigos ministrados para o prazer, com as punições impostas por atos indevidos. É dever do seu Senhor puni-lo quando se portar mal, ou quando agir em desacordo com suas regras, mas você deverá ser sempre informado de como e porquê a punição estará acontecendo, e deve entendê-la como algo necessário. O Dominador que não sabe distinguir punições de castigos inerentes ao SM deve ser seriamente questionado, e quiçá informado a respeito. Não tenha medo de ensinar algo ao seu Mestre. Ele aprenderá com você tanto quanto você com ele.

    Das experiências
    É óbvio que se seu Mestre ainda não domina determinada técnica, você será a cobaia potencial para que ele a treine e aprenda, logo, questione antes o quanto ele está preparado para testá-la em você, e estabeleça com ele um safeword (ver informações a respeito) para que a brincadeira possa ser interrompida caso não ocorra como planejaram, ou para que não resulte num acidente. Exija segurança, você não é um brinquedo. Recuse-se a participar da experiência se o Mestre se negar a dar-lhe as explicações que merece. Pseudo-dominadores acreditam que podem fazer tudo o que vêm na net ou em publicações especializadas, sem antes se informar ou mesmo estudar a técnica. Mantenha-se distante de Dominadores que debocham do termo “estudar” quando se tratar de SM.

    Dos sentimentos
    Um verdadeiro Mestre se interessa por tudo o que provoca, por todas as sensações e sentimentos de seu escravo, particularmente depois de uma sessão. Seja sempre sincero, fale a verdade. Nunca minta apenas para agradar ao Mestre. Se um Mestre não se mostra interessado pelos seus sentimentos é porque não o está observando, e neste caso pode tratar-se de um pseudo-Mestre. Questione-o, se for o caso.

    Dos abusos
    Tanto a submissão, quanto a dominação são características eróticas. Você não tem que ser um submisso 24 horas por dia se não lhe dá prazer. Existem casos de pseudo-dominadores que abusam de seus escravos fora do contexto erótico. Se não faz parte da sua fantasia, não se preste a este papel. Um verdadeiro Mestre respeita e admira seu servo. Não é sua obrigação por exemplo, passar horas na fila do Banco do Brasil para pagar as contas dele somente porque você é seu escravo. Estabeleça os critérios de sua servidão.

    Apontamento final
    E finalmente, é bastante difícil distinguir um Mestre inexperiente de um mau Mestre, principalmente se você como submisso, também é um principiante. Estimule-o a se aprimorar. Se perceber que um Mestre reúne todas as características de um bom Dominador, além de ser ético e bem intencionado, aprenda junto com ele. Dialogue bastante e iniciem-se mutuamente. Lembre-se que ninguém nasceu sabendo.


  3. As três regras de ouro

    Como uma relação na qual se aplica castigo físico pode ser sã ?
    De que maneira estranha é seguro queimar alguém com cera ou com um cigarro ?
    Autora: Domina (Site: A Mazmorra)

    Traduzido pelo Carcereiro

    As três regras de ouro

    Como uma relação na qual se aplica castigo físico pode ser SÃ ?
    De que maneira estranha é seguro queimar alguém com cera ou com um cigarro ?
    São perguntas freqüentes na hora de entabular conversação aobre o tema.

    Qualquer pessaoa que se interesse por ler algo sobre BDSM encontrará com facilidade que as relações desse tipo se constituem sobre três pilares obrigatórios: a D/s deve ser sã, segura e consensual. Mas, entretanto, em poucos lugares esse tema tão importante é explicado.

    Não é fácil compreender estas três regras até que se tenha um certo conhecimento sobre BDSM; entretanto, são básicas numa relação. É por isso que creio ser importante dar, ao menos, a minha explicação.

    A mais fácil de compreender é o consenso: tudo o que ocorrer dentro de uma sessão deve ter sido discutido e acordado previamente. É necessário conhecer a pessoa com a qual se atuará e deixar claros os limites de ambas as partes que são, em princípio, imovíveis. Isto não quer dizer que, com o tempo, os ditos limites não possam ser superados, mas desde que seja produto da confiança mútua a decisão de supera-los. Ninguém deve ser obrigado a superar limites: caso ocorra, trata-se de uma violação.

    Isto explicado, vem a parte complicada. Antes de mais nada, há que se lembrar que as práticas BDSM não um um joguinho e implicam em risco. É justamente por isso que, ainda que contraditório, deve se prestar especial atenção a que sejam sãs e seguras.

    Além dos limites estabelecidos pelos integrantes do par, há outros limites implícitos que todo Dominante deve respeitar e que tem a ver com a saúde do submisso. É nesse momento que entra em jogo o são: é sã a prática que não prejudica gravemente a saúde física e mental do submisso. E digo gravemente porque logicamente um castigo vai provocar dor e e talvez alguma contusão ou marca, por exemplo. Porém há uma diferença muito grande entre entre a dor produzida por uma chicotada (que eventualmente pode produzir prazer) e uma fratura ou contusão interna (esclareço que posso estar sendo exagerada, mas creio que ficou claro o ponto).

    Em por último, para que o segundo ponto seja observado, é necessário que o que se faz seja seguro. Para se chegar a isso, é essencial se informar sobre o que se fará e saber faze-lo. Da mesma forma, deve-se tomar todas as medidas necessárias para para não colocar em risco o submisso.

    Se se tem em conta tudo isso e se tem em mente que, de qualquer maneira há seus riscos, uma relação BDSM pode perfeitamente ser Sã, Segura e Consensual.

     


  4. Sadomasoquismo: este incompreendido

    Obtido no grupo BDSM_MG.
    Outubro de 2006.
    Reproduzido aqui por ser um texto bem feito, claro,
    em linguaguem acessível aos iniciantes.

    Mr. B

    O termo sadomasoquismo (SM) designa uma tendência para práticas sexuais que incluem as idéias de dominação e submissão ou de impingir ou receber estímulos dolorosos mais ou menos intensos ligados ao prazer, bem como a idéia de diversos tipos de sofrimentos impingidos a si ou ao(s) parceiro(s). O termo “sadismo” refere-se ao escritor francês Donatien Alphonse François, o Marquês de Sade, e o termo “masoquismo”, ao escritor austríaco Leopold Ritter von Sacher-Masoch, que da mesma forma que Sade, punha em prática na sua vida cotidiana as fantasias de castigos corporais, de humilhações, imaginados nos seus romances.

    As tendências sadomasoquistas existem, em maior ou menor grau, em qualquer pessoa e fazem parte das múltiplas expressões da complexa sexualidade humana, apesar de, muitas vezes, encontrarem-se reprimidas em cantos obscuros do inconsciente ou, mesmo vindo à consciência sob forma de sonhos ou fantasias, jamais serem expressar na prática. Por outro lado, existem muitíssimas pessoas em todo o mundo que exercitam esta sua porção sadomasoquista, especializando-se em técnicas sádicas, masoquistas ou em ambas, constituindo estes últimos os verdadeiros sadomasoquistas, na mais pura acepção da palavra.

    Uma relação sadomasoquista pode se apresentar sob formas muito variadas: relações estáveis e duradouras, eventuais e fortuitas, heterossexuais, homossexuais, bissexuais, em duplas ou em grupos. Suas expressões são tão variadas e distintas quantas são as expressões da sexualidade humana. No entanto, ao contrário do que pensam muitas pessoas, não há nada de pervertido ou violento: o SM é uma prática relativamente comum, na qual pessoas praticam técnicas diferentes, mas estão de pleno acordo com o que será feito. Paradoxalmente ainda hoje em dia o sadomasoquismo é visto pela Psiquiatria clássica como um desvio de sexualidade, incluída na lista das ditas “parafilias”, e encarada como uma doença em potencial ou um processo patológico.

    A grande incoerência está que mesmo Sigmund Freud já descrevia o SM como uma fase normal do desenvolvimento infantil e sob este tema, seu discípulo Wilhelm Reich muito discorreu, identificando detalhadamente a fase masoquista e a fase sádica como etapas consecutivas da chamada fase anal (dos 2 aos 3 anos de idade). Apesar do diagnóstico ainda figurar na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde, a maioria dos psiquiatras e dos psicólogos já entendem o SM como uma expressão aceitável da sexualidade, quando ocorre de forma consensual e livre entre pessoas adultas e em plena consciência de seus atos. Tapas, chicotadas, mãos amarradas, boca amordaçada: os psicólogos e os psiquiatras estão chegando à conclusão de que o sadomasoquismo não é doença e pode até dar mais satisfação a algumas pessoas do que o sexo convencional.

    Há uma regra básica que deve ser seguida sempre: tem que haver consentimento. Como qualquer contato sexual, nenhum ato sadomasoquista pode acontecer sem a concordância do parceiro. E não é só isso: mesmo que os dois estejam de acordo, a prática não pode deixar lesões sociais, físicas e psicológicas. Ou seja, só é possível experimentar alternativas radicais quando há total respeito e confiança entre os parceiros.

    Segundo a Organização Mundial de Saúde, classificado sob o número F65.5, é sadomasoquista aquele que tem "preferência por um atividade sexual que implica dor, humilhação ou subserviência. Se o sujeito prefere ser o objeto de um tal estímulo fala-se de masoquismo; se prefere ser o executante, trata-se de sadismo. Comumente o indivíduo obtém a excitação sexual por comportamento tanto sádicos quanto masoquistas (CIDX, 1994)". Na década de 80, a Associação Americana de Psiquiatria tirou o sadomasoquismo da sua lista de desajustes mentais. Ou seja, pelo menos nos Estados Unidos, ele deixou de ser considerado uma doença. Nossa sociedade, no entanto, é mais moralista que a deles, o que justificaria o fato de que muitos especialistas brasileiros continuam mantendo a opinião tradicional.

    Mas o fato é que deixou de ser absurda a idéia de que algumas pessoas se satisfazem quando sentem dor ou quando passam por situações humilhantes. Homens e mulheres que têm dificuldade de se entregar completamente no ato sexual, por exemplo, podem sentir-se paradoxalmente liberados dessa cobrança quando estão amarrados. Assim, inteiramente expostos ao parceiro e sem poder opor-se aos avanços dele, forçam-se a se envolver completamente no sexo. dessa forma, terão mais prazer. E não há nada de errado nisso.

    Com freqüência as pessoas de fora da cena (do "meio BDSM") não vêem o "appeal" em nenhum dos jogos, aparentemente dolorosos, praticados pelo pessoal SM. O que há de agradável em ser golpeado? Qual a graça em ser machucado? Bem, pense nisso: você já teve sexo intenso e depois notou marcas de mordidas no seu pescoço, mordidas que você nem se lembrava que tinha levado? O que aconteceu foi que seu parceiro mordeu você, COM FORÇA, com força suficiente para te marcar, e tudo o que você sentiu foi outro arrepio de prazer. Se te mordessem assim tão forte numa ocasião em que não existisse sexo, você gritaria, porque isso machucaria muito.

    Mas, quando você está sexualmente estimulado, a sua tolerância à dor aumenta, e o estímulo que habitualmente você sente como dor se torna, então, prazeroso. Outra explicação comum é que o cérebro produz endorfinas, anestésicos naturais, para compensar a dor. E você, na verdade, acaba se livrando da sensação de dor. A sensação de bem estar, extremamente gostosa que vem junto com o exercício físico continuado, o chamado "runner´s high" vem de forçar o corpo dolorosamente por tanto tempo que as endorfinas acabam por arrebatá-lo; a sensação que você tem depois de comer algo apimentado vem da mesma origem; e é isso que faz com que os praticantes de SM sintam prazer em serem açoitados ou espancados, ou seja, lá o que for. Não é dor; é prazer! Todos os atletas que são "doidos por exercícios" são essencialmente masoquistas que gostam de desgastar seus corpos para terem a resposta química.

    Então, aquele seu amigo que adora ser espancado pode, na verdade, estar sendo muito menos masoquista do que você é quando faz uma corrida! Um ato SM é então muitíssimo próximo a uma situação de jogo ou a um evento teatral: os adultos se permitem a realização de suas fantasias, tal qual as crianças brincam de “faz-de-conta”. Tanto isto é assim, que comumente o ato SM é chamado de “cena”.

    Antes que se parta para uma cena SM, é necessário um bom conhecimento entre os parceiros e a criação de uma noção de respeito e confiança que se processa por uma etapa de negociação e estabelecimento de limites e objetivos, sendo bastante comum também a instituição de uma palavra de segurança (“safe word”) para ser usada em situações de emergência. Felizmente, a maioria das atividades SM, tais como "bondage", "spanking" e provocação (humilhação), não são tão severas e você pode começar de forma "light" e aumentar a intensidade de acordo com o ritmo dos dois. Preste atenção no que você está fazendo, use o bom senso e você não se arrependerá.

    Em geral, comece devagar e PRATIQUE! Você aprenderá rapidamente, se divertirá ao longo do caminho e então, passará apenas por situações com as quais tem sonhado!

    Técnicas SM e seus vocabulários específicos

    Fetichismo:

    Estão inevitavelmente associados às praticas SM, fetiches, ou seja: "utilização de objetos inanimados como estímulo da excitação e da satisfação sexual. Numerosos fetiches são prolongamentos do corpo, como por exemplo, as vestimentas e os calçados. Outros exemplos comuns dizem respeito a uma textura particular como a borracha, o plástico ou o couro. Os objetos fetiches variam na sua importância de um indivíduo para o outro. Em certos casos servem simplesmente para reforçar a excitação sexual, atingida por condições normais (CIDX, 1994)".

    Exemplos: couro preto ("leather"), borracha ("latex"), "jeans" rasgados. O fetiche conhecido como cisvestismo é a preferência por roupas infantis ou de determinadas profissões, como médico, enfermeira, sacerdote, uniformes militares ou de trabalhadores braçais, etc ("uniforms"). Algumas pessoas têm fixação por pés e sapatos especiais (botas de montaria, botas militares, coturnos ou para alguns casos sapatos femininos) este fetiche se chama "podolatria". Há também aqueles que tem preferência por roupas íntimas ("underwear") ou mesmo roupas típicas do sexo oposto.

    "Dress Code”:

    Termo em inglês usado para determinadas festas onde há um traje obrigatório. Esta é a parte que garante o fetichismo de cada grupo. O traje varia muito de festa para festa e é bom sempre ler as instruções com atenção, pois costuma-se proibir a entrada de pessoas que não respeitem o "dress code" de um bar SM ou de uma festa.

    “Bondage”:

    Abreviatura internacional para "Bondage Domination" que significa "servidão e dominação" é BD, sendo muito comum o uso do termo "BDSM" para o SM embasado mais na idéia da dominação do que na idéia de dor. Normalmente o termo “bondage” refere-se a técnicas de imobilização e confinamento que incluem algemas, nós, grades, correntes e cadeados, gaiolas, cordas e até mesmo a mumificação completa do indivíduo. O uso de fitas adesivas e invólucros plásticos é igualmente comum, mas nestes casos um cuidado especial deve ser tomado quanto à restrição da respiração ou à escarificação da pele por contato com adesivos potentes ou com material impermeável. Uma especial atenção deve ser dispensada ao “bondage”, pois, assim como na maioria das técnicas SM, acidentes podem ocorrer por imperícia ou negligência e é necessário que o tanto o dominador quanto o submisso estejam muito conscientes dos riscos de cada procedimento e que saibam bem o que estão fazendo. Ainda na técnica de “bondage”se incluem as milenares artes japonesas do Shibari, com suas amarrações artísticas projetadas especificamente para a anatomia feminina.

    "Spanking":

    Técnica SM que envolve espancamento que varia desde o uso da mão, uma toalha molhada ou os famosos chinelos de dedo, indo até o uso do chicote, chibata ou do "paddle" (espécie de palmatória). O "spanking" também deve ser feito com consciência para não causar problemas de saúde. A região dos rins, da cabeça em geral e em especial a região das orelhas, dos olhos e do nariz, bem como a região abdominal deve ser evitada no “spanking”, mesmo que somente com o uso das mãos. O “spanking” genital é uma técnica bastante apreciada, mas bastante perigosa, como se pode imaginar e somente deve ser feita por pessoas experientes e conscienciosas. O “spanking” das plantas dos pés é conhecido como “tortura turca”, mas é igualmente muito perigoso e pode causar lesões físicas importantes. Na dúvida, a melhor região para a prática do “spanking” é mesmo a tradicional região das nádegas (o “bumbum”) como já sabiam nossas avós.

    “Wax”:

    Uso de cera quente de diversas formas durante uma cena SM. A cera pode ser de pingos de vela, até cera de depilação. O prazer está tanto no contato da cera quente sobre a pele, quanto na sua remoção por raspagem ou por arrancamento, com ou sem depilação. A maior parte da superfície da pele resiste bem ao calor da cera quente, sem apresentar queimaduras, marcas ou lesões e sem causar uma dor intensa, apesar das aparências. O “wax” genital e do ânus é especialmente apreciado, mas deve ser feito com cautela em pessoas pouco acostumadas. Da mesma forma a estimulação de regiões erógenas do corpo com o calor da brasa de um cigarro ou charuto (“cigar”) pode ser feita por intervalos bem pequenos de tempo (alguns poucos segundos) sem maiores riscos de queimaduras e sem muita dor. Há quem prefira a depilação por lâminas, como navalhas, “giletes”, facas, espadas ou adagas, mas evidentemente estes materiais requerem muita precisão e destreza e podem causar acidentes bem facilmente.

    Dermografia:

    Ainda com o uso da cera, de lâminas, de agulhas, pregadores ou de cordões, pode-se usar a dermografia, que é possibilidade de inscrição de letras e desenhos na pele de várias regiões do corpo. Quando se associam todas estas técnicas de dermografia, esculturas vivas impressionantes e belas podem ser feitas por pessoas experientes, com resultados realmente inusuais. Muitas pessoas também fazem uso de sondas, cateteres e espéculos para estes fins, mas o manuseio destes instrumentos é bem mais complicado e arriscado. O "body piercing" (perfurações e jóias de corpo) também não é para novatos, exige muito "know-how", precisão e um erro pode resultar numa grande confusão.

    "Golden Shower":

    Em português: "chuva dourada". Também conhecido como "water sports" (esportes aquáticos) ou simplesmente "pissing" (mijo). Em termos científicos: urolagnia. Prática sexual que envolve uso de urina. Normalmente usa-se a urina direto "da fonte" sobre o corpo ou a face, mas é possível em festas especializadas que se façam banheiras ou piscinas com urina. Também é comum que se beba a urina do parceiro, mas é bom lembrar que a deglutição da urina, bem como o contato da urina com possíveis ferimentos na pele não é considerada sexo seguro e pode haver a contaminação por HIV ou outros agentes transmissores de doenças sexualmente transmissíveis. Sob outros pontos de vista médicos, não há maiores problemas na prática da urolagnia. A bandeira internacional do Orgulho Urolagnista é completamente amarela, por razões óbvias. A coprofilia, conhecida como escatologia, “scat” ou “black rain” é uma técnica correlata, porém com o uso de feses durante o relacionamento sexual. A bandeira internacional do Orgulho Escatológico é completamente marrom, igualmente por razões óbvias.

    "Fist Fucking" (FF):

    Em português: "foda de punho". Prática SM muito comum em todo o mundo que consiste na penetração do ânus ou da vagina com os dedos, a mão toda (punho), o braço ou até mesmo com os pés ("Feet Fucking"). Para que se consiga fazer FF com segurança, é necessário treino e conhecimento da técnica tanto por parte do "fister" (ativo), quanto do "fistee" (passivo). Quando o FF é feito de modo correto não apresenta risco à saúde, nem conseqüências futuras, mantendo-se a elestacidade natural da vagina e do esfíncter anal, sendo extremamente prazeroso.

    “Dildo Playing”:

    Uso de objetos para penetração vaginal ou anal. Podem ser usadas desde legumes até objetos especialmente projetados feitos de silicone, borrachas ou acrílico. Muito comum é uso de pênis sintéticos de diversos tamanhos, “plugs”, cones ou bolinhas soltas ou presas em cadeias (“pompoir” ou pompuariasmo). Quando objetos de uso comum são usados como “dildos”, há que tomar um especial cuidado com arestas cortantes, partes pontiagudas ou elementos quebráveis, para que sejam evitados acidentes desastrosos. Nunca se devem usar objetos ocos, como garrafas e frascos, pois eles podem criar vácuo, dificultando sua remoção ou lesando tecidos delicados.

    “Gang Bang”:

    Fantasia sexual bastante comum em que uma pessoa é raptada e submetida a diversas técnicas SM por um dominador ou por um grupo de dominadores. Todos os tipos possíveis de raptos e seqüestros podem ser utilizados, mas evidentemente tudo não passa de uma encenação teatral, mais ou menos realística, em que todos os detalhes foram previamente combinados. Existem nos Estados Unidos grupos e ag6encias especializados em realizar tais raptos.

    Sufocamento:

    Como o nome indica, é a técnica da restrição respiratória pelo uso das mãos, da boca, de máscaras específicas, tubos, filmes plásticos ou fitas adesivas. Muitíssimo comum é o uso da mordaça de diversas formas como forma de impedir a fala e/ou a respiração. Estas técnicas são evidentemente potencialmente perigosas e somente devem ser feitas com muito cuidado e por pessoas experientes. O estrangulamento é a forma mais drástica e mais arriscada das técnicas de sufocamento e deve ser na maior parte das vezes evitado, pois a morte por acidente é comum. Há algumas coisas que são normalmente consideradas como potencialmente muito perigosas para serem feitas, a menos que você tenha sido ensinado por alguém que o saiba fazer. Suspensão é uma delas: há muitas coisas que podem dar errado e muitas delas podem resultar em um ferimento grave. A crucificação é uma forma de suspensão especialmente arriscada e pode levar à morte por asfixia.

    Eletro-Estimulação:

    Esta técnica consiste na aplicação de correntes elétricas de variadas intensidades sobre regiões erógenas do corpo. Estes estímulos podem provocar desde ligeiras sensações táteis, até prazer e dor intensos. A perfeita compreensão dos princípios biofísicos envolvidos em todo o processo é absolutamente obrigatória, pois a eletro-estimulação mal aplicada pode facilmente provocar lesões irreversíveis ou a morte imediata. No entanto, quando bem aplicada a eletro-estimulação é capaz de proezas tais como o prolongamento indefinido do orgasmo e da ejaculação.

    Tortura Psicológica:

    Técnica de SM que não envolve necessariamente nenhum contato físico podendo ser aplicada inclusive por telefone ou mensagens escritas. Em sua forma mais grosseira restringe-se à humilhação por uso de palavras fortes ou xingamentos ou a humilhação por exposição a situações sociais vexatórias, evidentemente respeitando-se sempre os limites do BDSM consensual e seguro. Mas verdadeira tortura psicológica, extremamente sofisticada e requintada, é a arte de localizar os pontos fracos da mente de uma pessoa e, através deles, ir minando aos poucos as defesas psicológicas que ela dispõe. Para que se aplique esta técnica é necessário um perfeito conhecimento de teorias psicológicas, bem como autocontrole e frieza, sendo imperiosa a constante atenção para que não ocorra uma crise catártica descontrolada ou inesperada por parte do dominador.

    Normas e Dicas de Segurança

    Segurança Emocional

    Antes de tudo, comunicação. Deixe seu parceiro saber o que você quer e o que não quer. Mantenha o diálogo constante, observe seu parceiro, esteja atento ao que ele ou ela possa estar sentindo e pensando, e respeite seus limites. Estabeleça uma "safeword", e deixe bem claro que ela vai ser EXTREMAMENTE respeitada se usada. NÃO assuma que o seu parceiro compartilha de uma mesma fantasia que você, a menos que vocês tenham conversado EXPLICITAMENTE; o fato de algumas pessoas gostarem de ser vendadas não significa que todas elas gostariam de ser amarradas.

    E o mais importante, as duas pessoas devem ter total liberdade para parar a qualquer hora, por qualquer motivo; respeitem-se o suficiente para encerrar, para terem um descanso e analisar as coisas, se algo sair errado.

    Seja sensível. O jogo SM, o qual pode (não tem que! Mas pode) envolver a falta de socorro, sensações intensas e dominação psicológica, é algo forte; pode atingir profundamente a alma de alguém e trazer à tona traumas de infância ou medos escondidos, sem avisar. Esteja ciente de que você está nadando em águas profundas e use de respeito, seja amável e cuidadoso. Não deixe essa realidade afastar você do SM, mas, se quiser experimentar, torne-se mais atento e aberto ao que ambos estão sentindo. Acima de tudo, decida-se por você mesmo, se o SM (ou elementos do SM) tem lugar na sua vida sexual. Não dê ouvidos quando qualquer outra pessoa disser a você "o SM vai ser legal para você" ou "O SM não vai ser legal para você". Só você pode tomar essa decisão.

    Seja honesto. Se você não quiser fazer algo, não deixe seu parceiro pressioná-lo. Quando você começar a explorar o SM, você pode se encontrar em uma situação em que seu parceiro quer algo além do que você tenha experiência para fazer, ou alguém que está com disposição para fazer algo que você não está disposto a fazer, naquela hora. No meu caso, geralmente acho melhor dizer, "Hei, acho que estamos querendo coisas diferentes. Vamos conversar". Fazer uma cena quando você realmente não quer, pode resultar desde uma cena tépida até algo que você deseja que acabe logo. Com uma boa dose de tempo, honestidade e principalmente não forçar situações ou atitudes, vocês construirão uma base de confiança que deixará você mais disposto em outra ocasião.

    Outro tipo de jogo SM especialmente "cobrado" é a dominação e a submissão, na qual o "bottom" (dominado) se desprende de uma parte de sua liberdade de escolha dando-a ao "top" (dominador), que pode comandar essas escolhas. Embora muitas pessoas com fortes limitações possam brincar disso de maneira perfeitamente segura (e sentem muita felicidade e satisfação em fazê-lo), esse tipo de jogo pode trazer alguns riscos emocionais reais para pessoas com baixa auto estima. O risco é que o dominador possa acabar abusando do seu poder, usando a dinâmica do SM para fazer com que o submisso se sinta mais inválido, sem forças e conseqüentemente disposto a deixar o dominador tomar conta de algo a mais que a sua independência.

    Se você tem dúvidas sobre seu próprio valor e se você pensa que ser um submisso (ou se isso é uma idéia decorrente) pode servir para confirmar e consolidar sua auto estima negativa, é muito importante que você pare e pense seriamente se você deve praticar o SM nessa fase da sua vida. A resposta pode muito bem ser "não" (e por outro lado, se você está pensando em dominar alguém que quer se submeter porque pensa que não merece o bem, você deve considerar se você quer um parceiro que pensa tão mal de si mesmo).

    No geral, é primordial que qualquer um que pratique o SM pesquise bem suas motivações e limitações e ser claro se o SM (em qualquer nível) é auto realizador ou auto destrutivo. Não pode ser tudo preto e branco, da mesma forma que, podem existir algumas atividades ou papéis, ou mesmo palavras em particular que farão com que você se sinta inseguro, com medo, ou sem valor e você pode muito bem querer evitar essas atividades/papéis/palavras. É exatamente para isso que existe a negociação, você tem o direito de fazer aquilo que o faz se sentir bem e de evitar aquilo que não te faz bem e você também tem o direito de insistir para que o seu parceiro respeite suas limitações (isto serve para qualquer relacionamento, é claro, BDSM ou não).

    O questionamento de "quando as relações SM se tornam excessivas ou abusivas" é freqüente e por uma boa razão: é um fato importante que o BDSM às vezes pode ser terapêutico, mas não é de maneira alguma um substituto para a terapia. Já foi dito que "você não pode obter uma força de alguém que não a tem". Um relacionamento SM é baseado no respeito mútuo, e no conhecimento de que ambos os parceiros estão escolhendo esta vida estando totalmente informados e não sendo coagidos, que o submisso tem orgulho em se submeter e o dominador tem orgulho em receber o dom desta submissão. É muito diferente de uma relação abusiva na qual um dos parceiros controla toda a vida do outro, com o objetivo de torná-lo irrevogavelmente e totalmente dependente.

    Segurança Física

    De volta ao plano físico: se você é um "top" e você está amarrando seu "bottom", mantenha a sua atenção naquilo que você está fazendo. Seu "bottom" vai extasiá-lo; cabe a você ver se ele está confortável e mantê-lo entretido. O "entretenimento" pode ser tão indecente quanto você quiser, mas observe se o "bottom" não está ficando aborrecido; isso raramente é diversão (se você como top está insatisfeito com seu submisso por ele quebrar algum acordo que vocês dois fizeram, ignorá-lo ou mandá-lo embora pode ser a punição mais cruel que você pode usar. Mas isso já é algo bem avançado).

    Lembre-se da AIDS e das demais doenças sexualmente transmissíveis. Quase tudo relacionado ao contato bucal ou à pele exposta é potencialmente inseguro, a menos que algum tipo de barreira de látex seja usada. No contato de qualquer combinação de dedos, genitais, boca e ânus: use uma barreira de látex para lamber ou para quando estiver á margem disso (i.e contato anal-oral), luvas para penetração manual, camisinhas em dildos e pênis.

    Use lubrificantes à base de água; se o lubrificante tiver o nonoxyl-9 é muito melhor (mas algumas pessoas são alérgicas ao nono-9 e Deus sabe que o gosto é HORRÍVEL!). ÓLEOS e LUBRIFICANTES À BASE DE ÓLEO DISSOLVEM O LÁTEX; mantenha o óleo mineral e de massagem longe das suas luvas e preservativos (e pelo mesmo motivo, das roupas de látex!).

    Sangue, sêmen, secreções femininas e urina, podem conter o HIV. Brinque muito, mas brinque com segurança (uma coisa interessante sobre o SM é que ele aumenta a extensão das maneiras seguras que as pessoas usam para satisfazerem umas às outras! Mas também aumenta as maneiras inseguras de jogar).

    Desinfete seu equipamento SM depois de usá-lo, lavando-o com uma solução desinfetante. A Betadina é provavelmente o agente desinfetante mais usado. Obrigatoriamente desinfete dildos, coisas cortantes, qualquer coisa que perfure ou que poderia ter entrado em contato com sangue. Desinfete chicotes e instrumento afins, se na cena tiver sido pesada o suficiente para causar ferimentos. Passar álcool não é tão bom quanto limpar os objetos usados com um agente com propriedades antibacterianas.

    Muitos "tops" usam um “kit” de segurança SM, contendo (entre outras coisas) alguns itens como uma lanterna, chaves duplicadas para todas as fechaduras, tesouras para bandagem (com uma lâmina achatada) que servem para remoção rápida em um bondage, um “kit” de primeiros socorros com todos os itens padrão para esse procedimento, desinfetante para os brinquedos que entraram em contato com fluidos corporais, suprimentos de segurança para sexo (algumas vezes incluindo uma grande variedade de lubrificantes - pessoas diferentes precisam de lubrificantes diferentes) e assim por diante.


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